10.7.11

Das coisas que falam de mim....

Hoje cedinho entrei em casa e me senti feliz por ter um lar para voltar, por eu cuidar de mim de das minhas coisas, isso me deu um aconchego, perceber “meu lugar”, “meu cantinho no mundo”...  No entanto, uma sensação estranha me tomou: olhei tudo e  parecia que eu tinha me ausentado anos  e com algum distanciamento olhava tudo como estrangeiro, como quem olha de fora sabe?! (Estava muito frio e o sol despontava e pensei, preciso fazer um café.) Então com essa sensação percebi como tudo ali naquele “lugar” naquele “espaço-tempo” falava de minha vida, de minha trajetória por essa existência e em um estalo as coisas ficaram claras...
...Sou um ser de buscas e reconstruções... Faço e refaço caminhos, percorro o novo, volto aos conhecidos trazendo bagagens necessárias para continuar.  Isso de certa forma me emocionou, pois perceber como é preciso ter coragem de minha parte para não seguir caminho reto em um mundo com seus sistemas que insistem em ser linear, em ter “controle”, em saber onde vai começar, onde vai dar, onde é o meio, quais são os objetivos. Bobagem, não sabemos de nada mesmo! Só sabemos o que já passou... O objetivo é viver, é aprender, é buscar as experiências e colaborar para que outros façam o mesmo.  Somos poetas de nós mesmos, nós é que detemos a pena e ao escrever construímos a existência das linhas... É bom descobrir que posso escrever meus poemas de trás pra frente, de ir e voltar, sem começo, nem meio, nem fim, apenas com vivências de mim mesmo e de encontros e quando houver, também os desencontros.
Minha casa me mostrou isso hoje, como estou nesse momento de   recuperar,  voltando em uns “lugares” que não existe mais, apenas na minha história pessoal, poder rever, refazer, recriar...